quinta-feira, agosto 31, 2006

Músicas... e Segurança

Chico Buarque é um dos mais importantes músicos brasileiros da actualidade. E um dos meus preferidos.

Esta música, já a conhecia. É lindíssima...

Mas nunca tinha estado atento à letra. É uma das mais belas descrições, de um dos mais feios acontecimentos que podem suceder a alguém: um acidente de trabalho mortal! Irónico e contraditório...

Oiçam e vejam. Espero que gostem.
"Subiu a construção como se fosse máquina
Ergueu no patamar quatro paredes sólidas
Tijolo com tijolo num desenho mágico
Seus olhos embotados de cimento e lágrima
Sentou pra descansar como se fosse sábado
Comeu feijão com arroz como se fosse um príncipe
Bebeu e soluçou como se fosse um náufrago
Dançou e gargalhou como se ouvisse música
E tropeçou no céu como se fosse um bêbado
E flutuou no ar como se fosse um pássaro
E se acabou no chão feito um pacote flácido
Agonizou no meio do passeio público
Morreu na contramão atrapalhando o tráfego
"
(Construçao - Chico Buarque de Holanda)

quarta-feira, agosto 30, 2006

Técnico de Segurança preso em Espanha


Ao ler esta notícia, publicada no site espanhol Prevencion World.com e que me chegou às mãos através da Newsletter do portal SHSTonline, fiquei muito surpreendido. Um técnico de segurança preso!!! Porquê? Qual a razão?
O título é sugestivo:
Santander - Ocho meses cárcel a técnico prevención por accidente que no evitó
Continuando a leitura, sabemos um pouco mais:

El Juzgado de lo Penal número 4 de Santander ha condenado a ocho meses de cárcel y al pago de una multa de 3.600 euros al jefe del servicio de prevención de riesgos de una fábrica en Reinosa, por no haber puesto remedio a un peligro del que era consciente y que acabó provocando un accidente.

O responsável pelo serviço de prevenção estava consciente de uma situação de risco e não lhe pôs termo, tendo esta causado um acidente.

E aqui surgem as primeiras interrogações:
Teria que ser o técnico de segurança a pôr termo a esta situação? Será que tinha meios para o fazer?
Não lhe caberia apenas (e este apenas não é pouco!) identificar a situação, propôr medidas para a sua correcção e pressionar para que fosse corrigido? Será que o fez?

O artigo ajuda a responder a estas questões ou, pelo menos, a encontrar as respostas dadas pelo tribunal.

La sentencia considera que la empresa cometió un delito (...) achacable "aquellos administradores o encargados del servicio que hayan sido responsables de los mismos y a quienes, conociéndolos y pudiendo remediarlo, no hubieran adoptado medidas para ello".

La juez (...) sostiene que, en este caso, el responsable de los dos delitos es el jefe del servicio de prevención de riesgos laborales (...), porque se ha probado que era conocedor del riesgo de caída que existía en los fosos de la acería.

O tribunal achou que o técnico de segurança conhecia a situação e que a poderia remediar, tendo optado por nada fazer. Será que, conhecendo-a, a poderia remediar? Será que lhe competia solucioná-la? A juiz achou que sim:

Para la juez, sus obligaciones como encargado de "velar por la seguridad" de la fábrica y su conocimiento del peligro del foso, convierten a O.M.G.V. en responsable de los dos delitos que achaca a la empresa Sidenor como consecuencia
del accidente.

E aqui começa a minha discordância com esta sentença. Um Técnico de Segurança e Higiene do Trabalho não pode ser considerado o encarregado de velar pela segurança!! É, sem dúvida, um dos, mas não o único. É responsável, principalmente, por identificar as situações, propôr um conjunto de recomendações e soluções técnicas, em conjunto com a área operacional, e fazer o seguimento dessas recomendações. E será que ele o fez?

En la evaluación de riesgos laborales con la que contaba Sidenor en ese momento no figuraba el riesgo de caída en altura en las operaciones de aplomado y toma de muestras en la acería y el foso. Después del siniestro, esa eventualidad si se incluyó en el plan de riesgos y se colocaron medidas de protección en los fosos.

Aqui, sim, está a responsabilidade do técnico de segurança: não identificou a situação devidamente, nem propôs alterações para ela. É uma responsabilidade iminentemente técnica e não operacional, de correcção das situações. E a esta, nenhum de nós pode fugir.

A sentença é pesada:

La sentencia inhabilita al acusado para ejercer la profesión de técnico en riesgos laborales durante el tiempo de la condena, ocho meses, y le impone además doce arrestos de fin de semana.

Como podemos nós, técnicos de segurança e higiene do trabalho, escapar a situações como esta?

- Identificando todas as situações de risco e recomendando correcções;

- Fazer o seguimento das recomendações, insistindo na sua implementação, ficando apenas descansado quando a situação estiver corrigida;

- Registando tudo, juntando evidências do que foi feito.

Apesar de não ter conhecimento de nenhuma situação similar em Portugal, devemos começar a precavermo-nos. Elas virão, com toda a certeza...

Seria interessante discutir também se esta sentença, tal como foi feita, seria possível em Portugal, à luz do nosso ordenamento jurídico. Talvez ainda o tente aqui, mas, como não sou jurista, será uma análise pobre.

Com comentário final, apenas registar a minha estranheza pela não punição da empresa, na pessoa das suas chefias operacionais (director geral, chefias intermédias, supervisores), essas sim responsáveis pela implementação das acções para corrigir o risco.

terça-feira, agosto 29, 2006

Trabalhos em encostas

Recebi, há já alguns meses, uma mensagem que achei muitíssimo interessante do HSTAPT, uma lista de discussão que assino e que já mencionei aqui no Morrer a Trabalhar.

A mensagem, da autoria do João Rosa, técnico de segurança, é perfeita: didática, pedagógica, perfeitamente ilustrada com imagens. Por isso, pedi autorização ao João e não hesitei em publicá-la.

Faço desde já um desafio a todos os colegas técnicos de higiene e segurança: enviem-me as vossas mensagens, focando qualquer tema que dominem e que vos pareça interessante, que eu publicá-las-ei.

Aqui vai a mensagem:

Bom dia Colega,

Ao indicares que será efectuada uma escavação, depreende-se a existência de equipamento adequado à execução de plataformas intermedias.

Uma boa preparação de trabalhos, ajuda e muito, no docorrer dos trabalhos sem qualquer incidente, deves observar:
Equipamento:
- Conformidade das cintas e/ou estropos
- Conformidade de equipamento para transporte e colocação de tubagem [CE, relatórios de verificação…, caracteristicas técnicas (angulo máximo de inclinação aceitável do equipamento)]




Preparação de obra:
- Adequar equipamento e mão de obra aos trabalhos a efectuar
- Criação de zonas de Stock intermedias

Condições diversas de segurança:
- EPI`s adequados
- Acessos e plataformas adequadas
- Criação de batentes na zona de passagem de viaturas pesadas
- Sinalização de valas
- Observação dos taludes…



Bom trabalho.
joao rosa
(mensagem publicada na HSTAPT em 28/05/06)

Mortes na Ponte

Mesmo agora, ao ver o programa comemorativo da construção da ponte 25 de Abril, fixei o número de mortos que ocorreram na sua construção: 4!!! Para a altura e dimensão da obra, não será um número que peca por defeito?

A descrição de um dos acidentes, por um dos trabalhadores que assistiu a tudo, já idoso e reformado, foi tocante. Todos os mortos são demais!!! Devemos sempre lembrar-nos disso, quando iniciámos o nosso dia de trabalho.

E lembrarmo-nos que lutamos por um dos mais belos e humanos objectivos que uma profissão pode ter: preservar a vida humana...

Zona de Risco

Já vou recebendo algumas mensagens de leitores do Morrer a Trabalhar (não muitas, é certo, mas sempre são algumas!). Uma das últimas foi do autor do blog Zona de Risco. É um blog brasileiro, muito interessante, que tem como subtítulo: Riscos, Desastre e Tecnologia. Vai merecer destaque na barra de ferramentas.

É interessante começar-se a construir uma blogosfera na área da Segurança e Saúde no Trabalho lusófona. Eu farei o meu papel deste lado do Atlântico...

Aproveito para lançar um desafio ao Zona de Risco. Que nos apresente, a nós, profisssionais de Segurança portugueses, a situação desta área no Brasil. E que nos comece por falar na legislação que têm. Sei que o Brasil tem uma excelente legislação nesta área: PPRA, Perfil Profissiográfico, mapas de risco, NRs,... São tudo temas que sei que são habituais no Brasil. No entanto, quem melhor que um blog brasileiro para os explicar?

Eu, deste lado do Atlântico, farei o mesmo para a legislação portuguesa. E irei dando conta dos posts que forem sendo publicados no país irmão, pelo Zona de Risco.

segunda-feira, agosto 28, 2006

Boa Noite!

Fim de semana fantástico num dos últimos paraísos perdidos em Portugal: Aljezur, na costa Vicentina.

E sem tempo para escrever, pois amanhã levanto-me muito cedo. Começo de uma semana de trabalho fantástica, com toda a certeza.

Boa noite!

sexta-feira, agosto 25, 2006

Apergo


A Apergo, Associação Portuguesa de Ergonomia, descreve-se assim no seu site:

A APERGO tem como objectivo zelar pela função social, dignidade e prestígio da profissão de ergonomista, promovendo a valorização profissional e científica dos seus associados e a defesa e o respeito pelos princípios éticos que deverão nortear a sua actividade.

A Associação Portuguesa de Ergonomia foi fundada a 12 de Janeiro de 1992.
Nestes 10 anos de existência têm sido superadas as dificuldades inerentes à
implantação e consolidação do projecto, que tem por base a defesa e promoção da
Ergonomia e dos ergonomistas associados. Neste momento a Apergo conta com 106
sócios, 94 efectivos, 1 honorário, 1 extraordinário e 10 estudantes.

Como todas as associações de classe, esta não foge à regra e tem por objectivo zelar pela função social, dignidade e prestígio da profissão de ergonomista. O que é salutar. E importante, porque a ergonomia é uma das áreas chave na Segurança e Saúde no Trabalho.

quinta-feira, agosto 24, 2006

Cursos de Técnicos e Técnicos Superiores


O relatório do ISHST, já referido no último post, é bem interessante e vale uma leitura atenta. Iremos fazê-la aqui no Morrer a Trabalhar.

Hoje, mostraremos a distribuição dos cursos de SHST para técnicos e técnicos superiores em Portugal.
A contagem dos números da figura, mostra-nos a seguinte situação:
- Existem 193 cursos de técnicos superiores!!!!
- E existem 97 cursos de técnicos de segurança e higiene do trabalho!!!!
Acreditam?!!! Pois podem acreditar.

Fazendo mais umas contas rápidas, e considerando que cada curso tem uma média de 10 alunos, teremos, todos os anos, 1930 novos técnicos superiores de segurança e higiene do trabalho e 970 novos técnicos de nível III!!!! Isto sem contar com aqueles que saem de licenciaturas que dão acesso directo ao CAP.

A este ritmo, daqui a 10 anos, seremos quase 40.000 técnicos!!! Não seremos muitos????

quarta-feira, agosto 23, 2006

A profissão de técnico de segurança e higiene do trabalho

Neste post já bem antigo, faço alguns comentários que, hoje, continuam pertinentes:

Fazendo umas contas por alto, existem cerca de 1800 técnicos superiores e cerca de 700 técnicos de nível III
listados. Quantos mais existirão? Fará sentido esta desproporção entre técnicos e técnicos superiores? Não deveriam existir mais técnicos que técnicos superiores? Quantos técnicos necessita Portugal? Eis algumas questões que valeria a pena debater.


O gráfico acima, retirado da Síntese do Relatório de Actividades de 2005 e Objectivos Estratégicos para 2006 do ISHST, mostra-nos que os números não são esses. São substancialmente maiores: 8140 técnicos de nível V e 1843 técnicos de nível III. As razões para essa diferença são duas: retirei os números da listagem publicada pelo ISHST, que não contém todos os técnicos, mas apenas os que autorizaram a publicação do seu nome; e essa estimativa foi realizada já há bastante tempo, em Abril de 2005.

No entanto, as perguntas continuam actuais:

Fará sentido esta desproporção entre técnicos e técnicos superiores? Não deveriam existir mais técnicos que técnicos superiores?

De quantos técnicos necessita Portugal?

Não tenho resposta imediata e directa para nenhuma destas perguntas.

Numa primeira análise, parece que deveriam existir mais técnicos que técnicos superiores. Porque digo isto? Leíamos os perfis profissionais de Técnico e Técnico Superior de Segurança e Higiene do Trabalho, referidos no Manual de Certificação destas duas profissões:

- Técnico Superior de Segurança e Higiene do Trabalho:
Objectivo global: Desenvolver, coordenar e controlar as actividades de prevenção e protecção contra riscos profissionais

- Técnico de Segurança e Higiene do Trabalho:
Objectivo global: Desenvolver actividades de prevenção e de protecção contra riscos profissionais.

Olhando ao que foi dito, o técnico superior deverá ter uma função de coordenação e supervisão e o técnico, uma função de execução. Ora, se temos muitíssimos mais técnicos superiores que técnicos (mais 340%), teremos, em português vernáculo, muitos chefes e poucos a fazer. Dizendo de um modo mais suave, teremos muita gente a coordenar e a controlar as actividades e pouca gente a desenvolver.

E esta situação não é boa para ninguém:
Muitos técnicos superiores terão que desempenhar funções essencialmente de execução e poucos chegarão a funções de coordenação, não atingindo o desenvolvimento profissional que ambicionam. E irão concorrer com os técnicos de nível III que, com menos formação, serão muitas vezes preteridos em alguns empregos, não atingindo também o almejado desenvolvimento profissional.
Estabelece-se uma concorrência grande no mercado de trabalho entre pessoas com formações e funções diferentes, para os mesmos postos de trabalho. O que seria salutar se o mercado estivesse amadurecido, se todos soubessem ao que vão e o que procurar. O que não é o caso. E perdemos todos, porque ninguém atinge o nível remuneratório que deseja e merece.

Porque surgiu esta situação? Porque foram abertos cursos de técnicos superiores sem se saber quantos seriam necessários. Porque, num mercado de emprego em recessão, muita gente viu na SHST uma via para o mercado de emprego. Porque, como em muitas outras áreas em Portugal, temos uma carência de pessoas com formações médias.

E isso leva-nos à segunda pergunta: Quantos técnicos necessitamos em Portugal? Também não sei responder. Mas, seria a altura de nos começarmos a preocupar com isso. Seria altura de ser feito um estudo (e, fiquem descansados, não seria mais um estudo para adiar medidas!!) com vista a definir quantos técnicos, quantos cursos, quantas empresas de SHST são necessárias. E seria também altura de se começar a pensar na auto-regulação da profissão, uma vez que, até aqui, o Estado não se tem preocupado muito com isso.

Eu, por mim, farei a minha parte. Dentro em breve, inicarei um pequeno estudo com vista à caracterização da profissão de técnico e técnico superior de segurança e higiene do trabalho. Visará tentar descobrir quem são os técnicos, o que fazem, qual a sua formação, que experiência têm, como acederam à profissão. Será simples, utilizando as ferramentas da internet ao dispor. Receberão, todos os que forem técnicos e tiverem endereço de email publicado nas listas do ISHST, uma mensagem na caixa de correio com as indicações para responderem às questões. Mais desenvolvimentos serão colocados neste blog a seu tempo.

terça-feira, agosto 22, 2006

Vídeo irresistível II - Construção

Continuando na área da construção, na sequência do último post Riscos no Trabalho, não resisti a colocar no Morrer a Trabalhar este excelente vídeo sobre a construção, mais uma vez da série Napo.

É um vídeo didáctico, simples, educativo. E que contém um conjunto de informações e medidas de prevenção valiosíssimas. Arrisco-me a dizer que, se estas normas simples fossem seguidas, reduziríamos drasticamente as mortes na construção cívil.


E não posso deixar de lançar um desafio a todos os técnicos de segurança e demais profissionais desta área: apresentem, antes de qualquer trabalhador entrar nas vossas obras, este pequeno vídeo. Basta uma pequena sessão de meia hora.
A formação é um instrumento importantíssimo para o combate à sinistralidade laboral, mas não tem que ser complicado. Às vezes, pequenas acções, simples, objectivas e directas, têm mais impacto que longas e complexas acções de formação.

Como sugiro que implementem esta medida?

- Primeiro, convençam o vosso director de obra. Com que argumentos? Não vão ocupar muito tempo (30 min), é uma formação muito simples e didáctica (mostrem-lhe o vídeo), conseguem chegar a todos os trabalhadores, independentemente da língua.

- Depois, façam primeiro esta sessão para todas chefias directas: encarregados, chefes de equipa. Ponham-os a discutir esses problemas, como podem formar todos os trabalhadores, entre outras coisas.

- Por fim, façam esta formação a todos os trabalhadores, antes que entrem em obra. Mas deixem que sejam os chefes deles que falem, isto é, que seja o encarregado que lhes explique o vídeo, lhes tire dúvidas. Vocês estão lá para ajudar e responder às questões mais bicudas.

Tentem e digam-se como resultou. Basta enviar um email. Podem fazer o download do filme directamente aqui.

Blogs - Experiência Portuguesa

Encontrei este interessante estudo sobre a blogosfera em Portugal. Chama-se Blogs - Experiência portuguesa e foi feito pelo Hugo Manuel Neves da Silva, no âmbito do mestrado em Ciências da Comunicação, da Universidade Católica Portuguesa. Já é um pouco antigo: Fevereiro de 2005. O que, para a velocidade da blogosfera, é uma verdadeira eternidade.

segunda-feira, agosto 21, 2006

Legislação nacional e comunitária

Uma ferramenta indispensável para qualquer técnico de segurança é a legislação, quer nacional, quer comunitária. Leis, portarias, directivas são instrumentos de trabalho.

Com vista a facilitar a busca de legislação, passaremos a indicar alguns links úteis:

- Diário da República: agora, online e grátis. Só falta ter a funcionalidade de busca por palavras chave. Para quando essa funcionalidade de busca?

- Jornal Oficial: este permite a busca por palavras chave, bem como a busca por nº de diploma. As várias possibilidade de busca podem ser vistas aqui.

Mais à frente, para facilitar a busca dos diplomas importantes para a Segurança e Saúde no Trabalho, dedicarei alguns posts a esse tema.

domingo, agosto 20, 2006

Riscos no Trabalho

Como prometido aqui, começamos uma série de posts relacionados com situações de risco encontradas por este país fora. As fotos analisadas terão várias origens. Esta é do Abrupto, sendo da autoria de Gil Coelho, como referido no blog.

Tentando olhar para esta situação de trabalho do ponto de vista da Segurança e Saúde no trabalho, começarei por descrever a situação de trabalho, depois, identificarei as situações de risco e quais os acidentes que poderão ocorrer e, por fim, recomendarei algumas medidas de prevenção.

Descrição da situação de trabalho
Como se pode observar na foto, trata-se da reparação do telhado de um edifício. Este edifício, apesar de não ser possível vê-lo na totalidade, parece ter pelo menos 2 pisos. O acesso ao telhado é feito por uma escada, que parece ligar o rés do chão ao telhado. A altura do telhado deverá ser aproximadamente de 8 / 9m. Os materiais são transportados para o telhado por uma grua.

Riscos
Queda em altura
A situação mais óbvia é a possibilidade de queda em altura durante a execução do trabalho. É claro que nenhum dos 3 trabalhadores têm qualquer protecção contra quedas. A possibilidade de a qualquer deles lhes esbarrar um pé é grande. E cairão de 8 ou 9 m de altura, uma altura considerável.

A segunda situação que merece nota, é a possibilidade de queda em altura, quando sobem para o telhado. A escada não parece estar solidamente atada, havendo a possibilidade que caia. Para além disso, na altura da passagem da escada para o telhado, sem qualquer apoio para se segurarem, é fácil que qualquer dos trabalhadores caia.

Queda de objectos
A terceira situação, é a possibilidade de queda de materiais do telhado, constituindo este facto um risco para as pessoas que circulam em baixo junto ao edifício. Não existe qualquer protecção contra queda de objectos.

A quarta situação, relaciona-se também com queda de objectos, mas neste caso da grua. O equipamento que usam para colocar o material não parece ser fechado, possibilitando a queda do material.

A quinta situação relaciona-se com a queda da própria grua. Estará bem escorada?

Riscos eléctricos
Na imagem, vêem-se 2 cabos, que passam por cima das varandas e dirigem-se ao telhado junto à escada. Serão cabos eléctricos? Estarão em perfeito estado de conservação?

Riscos ergonómicos
A postura de trabalho, claramente debruçados na operação de colocação de telhas, poderá acarretar problemas do foro musculo-esqueléctico, como sejam as lombalgias de esforço.


Para além destas situações de risco, outra situação merece atenção: apenas um dos trabalhadores utiliza capacete, mostrando claramente a falta de supervisão na obra.

Recomendações
Nesta situação, vê-se claramente a falta de dois importantíssimos factores na gestão da Segurança:
- Empenhamento das chefias da empresa na definição de normas de segurança claras e em garantir o seu cumprimento, bem como na garantia dos meios de protecção necessários para a execução do trabalho em condições de segurança;
- Apoio técnico à gestão da empresa na definição dos meios de protecção necessários e de normas de segurança adequadas.

Não é possível perceber, apenas a partir da imagem, se são as chefias que, bem aconselhadas por profissionais de segurança, não têm o empenhamento para implementar as recomenções destes, ou se, pelo contrário, são os profissionais de segurança que não dão o apoio necessário a chefias empenhadas em garantir as condições de trabalho adequadas. Provavelmente, é um misto das duas situações: nem chefias empenhadas, nem apoio técnico adequado.

As duas primeiras situações a resolver são as apontadas acima (sendo também as mais difíceis de resolver), visto todas as que irei referir a seguir são resultado e sintomas desta falta de empenhamento das chefias e do apoio técnico necessário:

- Colocar sistema de protecção contra quedas em altura e quedas de objectos, por exemplo, guarda corpos (com rodapés) ou redes de protecção. Se não for possível, ;

- Dotar a obra de acesso ao telhado adequado, constituído, por exemplo, por andaime com escadas incorporadas;

- Substituir o equipamento de transporte de cargas por um fechado, que evite quedas de materiais;

- Garantir a subida de cabos para o telhado de forma mais adequado, por exemplo, com esteira provisória de cabos, evitando assim que possam ser deteriorados e garantir que estes estejam em boas condições, sem o condutor à vista. A instalação eléctrica também deverá ser adequada, tendo dijuntor de 15 mA (não tenho a certeza se serão 15 ou 30 mA);

- Definir área de proibição de passagem, ao nível do solo, perfeitamente delimitada e sinalizada, de modo a garantir que ninguém passe em zona de risco;

- Definir o equipamento de protecção individual necessário, pelo menos, capacete, calçado com sola e biqueira de aço e luvas de protecção mecânica, e garantir que seja efectivamente utilizado;

- Garantir que a grua está devidamente fixada e que é inspeccionada, bem como todos os cabos e eslingas necessários à movimentação de cargas;

- Por fim, garantir que todos os trabalhadores têm a formação necessária, especialmente, quem maneja a grua.

Trata-se da análise possível com os meios que tinha ao meu alcance, que eram apenas a foto. Provavelmente, é simplista em alguns pontos, errada em outros, mas foi a possível. Comentem, discutam e acrescentem o que quiserem. Basta enviar um mail.

Acabem com os sacrifícios humanos!!!

Leiam este excelente texto publicado no Root Cause Analysis. Mostra claramente qual o problema que lidamos na Segurança do Trabalho: a sucessão de pequenos nadas que resultam em tragédias; o sofrimento humano que causam; o modo de alterar este estado de coisas.

Que só pode ser responsabilizar toda a gestão da empresa por uma política de tolerância zero a esses pequenos nadas. Mas antes de eles causarem acidentes...

Root Cause Analysis

Vagueando na net, fui encontrar o Root Cause Analysis. É um blog criado por uma empresa que lida com estes temas em indústrias de alto risco. Vale decididamente uma visita. E vai para a barra de links.

sábado, agosto 19, 2006

Aos empresários cumpridores da lei II

Há uns dias, comecei a publicar aqui uma lista de empresas prestadoras de serviços externos de Segurança, Higiene e Saúde no Trabalho com página na net. Hoje, continuarei essa lista, identificando quais as empresas licenciadas pelo ISHST. Podem consultar a listagem de todas as empresas com processo no ISHST aqui.

Empresas licenciadas
Rodrigues e Gamelas - Mira; SMGP, Consultores - Porto; Segatrab - Vila Nova de Gaia

Empresas não autorizadas
Secipe - Lisboa

Empresas com processos pendentes
Medicar - Almada; CPMT - Porto; HSA - Barcarena; Previnorma - Lisboa; S.T.A. e Medipreve - Lisboa; UCS - Lisboa; E.C.C. - Évora; Prévia - Almancil; Laborsegur - Porto; Controlsafe - Joane; Sigalabor - Vila Nova de Gaia; Lusogiene - Queluz; Cedros - Setúbal; Espesaúde - Rio Meão; H2ST - Torres Novas

Empresas que não constam da lista
Percentil - Oeiras; HiSósegur - Tortosendo; Mário Alves Castro, Unipessoal - Vila Nova de Gaia; Eurotrata - Corroios

Neste e no post anterior, listei cerca de 50 empresas. Foram as que encontrei na net. Se encontrarem mais alguma, digam.
Quem necessitar de mais contactos, pode ir às páginas amarelas.

Músicas...

Como a vida não é só trabalho, aqui vai mais uma das minhas bandas favoritas. Desta vez, é portuguesa.

Acompanho a carreira dos Mão Morta desde o seu início. Grupo criado em Braga, com o Adolfo Luxúria Caníbal como principal figura, são terríficos, tétricos. Mas, mesmo assim, gosto.

Tive a felicidade de ver esta espectáculo no CCB. Espero que gostem.


Será possível??!!

Numa das listas de discussão que recebo, foi distribuída esta mensagem que, pela impressão que me causou, transcrevo parcialmente:

"Nuestro cc. Amancio Schullcas de 38 años murió el 6 de agosto del 2006 cuando estaba haciendo la estiba en el Mercado de Huancayo, sección verduras. Él como otros muchos estibadores cargaba un saco de 170 kilos sobre los hombros y como la ruma estaba muy alta, se le cayó otro saco del mismo peso sobre la cabeza y su columna se partió en dos. Deja a su esposa y cuatro hijos, no tenemos seguridad social, tuvimos que hacer una cuota para pagar su entierro y sólo con el apoyo mutuo van saliendo adelante.

El cc. Víctor Huincho de 48 años falleció de un derrame cerebral, debido a que la cabeza se utiliza para soportar los sacos y siempre se golpeaba el cerebro, estos sacos van de 130 kilos a más de 180 kilos y tenía muchos golpes; deja a una familia de esposa y seis hijos menores. "

Guillermo Onofre - Federación Nacional de Estibadores Terrestres y Transportistas Manuales del Perú (FETTRAMAP)

Será possível o transporte manual de 180 kg?!!! Hoje, no século XXI!!!

Links

Coloquei hoje um conjunto de links que me parecem poder ser importantes para quem se interesse por esta área. Foram links anteriormente referidos em posts no Morrer a Trabalhar. Ainda não estão todos. Continuarei esta tarefa por estes dias.

quinta-feira, agosto 17, 2006

Guidelines de Segurança, Saúde e Ambiente

Para quem necessita de informação sobre alguma indústria em particular, encontrei a página do International Finance Corporation, que faz parte do Banco Mundial. Aqui, podem encontrar-se um conjunto de guidelines de Segurança, Saúde e Ambiente, para um conjunto de indústrias: indústria têxtil, lacticínios, fabricação de vidro, entre muitas outras. Todos os guidelines são uma versão draft e podem ser comentados. Quem quiser, basta registar-se e deixar os seus comentários.