Segurança e Higiene do Trabalho, Segurança e Saúde no Trabalho, Acidentes de Trabalho, Doenças Profissionais, Riscos... Tudo explicado, discutido e debatido por mim, João Rui Pinto, Técnico Superior de Higiene e Segurança, Licenciado em Engenharia Química e apaixonado por estes temas. Com a vossa ajuda e contribuição, caro leitor. Para que não restem dúvidas, todas as opiniões expressas neste blog são apenas as minhas e não de qualquer organização onde trabalhe ou tenha trabalhado.
quarta-feira, maio 30, 2007
Acidentes mortais e Alberto João
E revoltou-me, principalmente, pela completa ausência de qualquer declaração de pesar por parte de Alberto João Jardim, o inefável presidente do Governo Regional da Madeira.
Qualquer acidente mortal é, por si só, uma situação trágica. Nesta situação, a tragédia torna-se maior pelo completo silêncio de quem tem uma dupla responsabilidade: como governante, e, por isso, com especiais obrigações; e como alguém com responsabilidades na própria construção dos locais onde ocorreram os dois acidentes mortais (seria o governo regional dono de obra?).
Esta situação da ocorrência de dois acidentes mortais em altura de campanha eleitoral, e por isso, altura de grande pressão para a conclusão das obras, leva-nos a ter que reflectir sobre a influência dos ritmos de trabalho elevados em empresas sem uma gestão e organização de segurança robustas.
terça-feira, maio 29, 2007
Acidentes de Trabalho em Angola
A primeira: só foram reportados 89 acidentes de trabalho na construção civil, na província de Luanda???!!!! Acho estranho, mas, mais à frente, o vice-ministro da Administração Pública, Emprego e Segurança Social reconhece que:
(...) a debilidade da estatística no país não permite apresentar o quadro relativo às doenças profissionais, e mesmo em termos de acidentes de trabalho, os dados apresentados são aqueles participados à ENSA e em algumas direcções provinciais.O segundo motivo de surpresa foi o lançamento, também em Angola, de uma Campanha de Prevenção de Acidentes de Trabalho e Doenças Profissionais no sector de construção civil, que decorre em todo país, sob o lema: “reduzir os riscos profissionais para uma vida laboral mais saudável”. É revigorante ver que se começam a ter preocupações na área da Segurança e Saúde no Trabalho.
A terceira surpresa foi o incentivo para a criação dos serviços de prevenção de acidentes de trabalho e doenças profissionais, por parte de todas as empresas. Excelentes notícias.
Fiquei curioso em conhecer melhor a legislação angolana nesta matéria. Será que alguém conhece um site onde esteja disponível? E fiquei também curioso por conhecer um pouco mais da campanha para a construção civil.
Angola está a dar os primeiros passos em tudo, depois de anos de uma guerra civil sangrenta. Também na Segurança e Saúde no Trabalho. É, também na nossa área, uma terra a desbravar. Seria interessante que nós, portugueses, cooperássemos nesse seu desenvolvimento. Saibamos nós contribuir para ele...
domingo, maio 27, 2007
Campanha Construção 2007: Esmagamento
Campanha para a construção no Grupo Morrer a Trabalhar
Deste modo, ao serem feitos periodicamente uploads de material interessante, será criado no grupo um acervo de documentos importantes para, em qualquer altura e de um modo fácil, qualquer dos membros poder aceder a eles, em qualquer lugar com acesso à net.
Vamos a ver como funciona e a adesão que terá...
Campanha para a construção civil
Os promotores desta campanha são o ISHST e o IMOPPI. Segundo o referido na notícia de lançamento da campanha, publicada no site, o seu objectivo é:
As 4 maiores causas de morte são: queda em altura, soterramento, electrocussão e esmagamentos. Para cada uma delas, a campanha tem previsto um cartaz. Publicarei esses cartazes em próximos posts.(...) é alertar os empregadores e os trabalhadores da construção para o grave panorama de sinistralidade que subsiste no sector e, principalmente, para quatro das maiores causas de acidente de trabalho mortal, e informar sobre as principais directrizes do Decreto-lei n.º 273/2003 – Planeamento e organização da SST em estaleiros temporários ou móveis.
Tem também uma brochura de suporte à campanha. Esta brochura parece-me bem conseguida, com um conjunto de medidas de prevenção para cada um dos riscos apresentados. No final, tem um guia para o decreto-lei 273/03. Esta parte parece-me um pouco desequilibrado: fala bastante da comunicação prévia, mas o plano de segurança e saúde e a compilação técnica, documentos bem mais importantes, são abordados muito superficialmente.
Em suma, a brochura não está muito extensa (1 ou 2 páginas para cada um dos riscos), desenvolve os assuntos de um ponto de vista essencialmente prático e o grafismo é, para um não especialista como eu, bem aceitável.
Por fim, tem um kit para a imprensa, de que falarei mais tarde.
quinta-feira, maio 10, 2007
Lusofonia, outra vez...
As preocupações relacionadas com Segurança e Saúde no Trabalho são uma realidade, também em Angola. Como se pode ler aqui. O título:
Celebração de contratos laborais deve privilegiar segurança e higiene no trabalhoé demonstrativo dessa preocupação. Defendida, neste caso, por um dirigente de uma central sindical. Que está consciente da realidade angolana, ao referir:
Lá, como cá, a construção civil é um sector problemático... Porque será?(...) que no caso concreto de Angola, as condições de segurança nos locais de trabalho são muito precárias, porquanto, dados recentes publicados pelo Ministério do Trabalho Emprego e Segurança Social (Mapess) indicam que só o sector da construção e habitação absorveu cerca de 45 por cento de acidentes de trabalho.
terça-feira, maio 08, 2007
Acidentes de Trabalho: Ausência completa de taxas nacionais
(...) O sector da construção é responsável por uma parte significativa destes valores, com quase 13 trabalhadores mortos por cada cem mil, contra 5 por cada cem mil na média para os restantes sectores de actividade.
Isto é, a probabilidade de morrer a trabalhar na construção (em Portugal e na UE) é cerca de 2,5 vezes maior do que trabalhar num qualquer outro sector de actividade. (...)
Nesta transcrição, surpreendem-me duas coisas: a primeira, é a completa ausência de valores portugueses de quaisquer taxas de frequência ou incidência de acidentes de trabalho. Nunca vi publicados estes valores. E como são importantes! Como podemos saber, nas empresas, como nos comparamos contra a média nacional? E como estamos em relação à média do nosso sector? E como podemos saber, nós portugueses, como nos comparamos em relação a outros países? Sabemos que comparamos mal, mas porque é que nunca são publicados valores?
A segunda surpresa é em relação ao facto de, tanto em Portugal como na Europa, o risco de morrer na construção ser exactamente igual aos restantes sectores. Seria uma coincidência espantosa!
Este post tem um objectivo: agitar consciências, para ver se são publicadas as taxas de sinistralidade laboral.


