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quinta-feira, setembro 02, 2010

Arte na Segurança no Trabalho

Já ha alguns anos, 4 para ser mais preciso, publiquei um post com a música Construção de Chico Buarque, onde ele descreve um acidente de trabalho. Hoje, chega a vez da pintura. Publico este quadro lindíssimo, mas trágico, chamado Acidente de Trabalho, e que aparenta também ter ocorrido na construção civil. 



O autor é um pintor brasileiro chamado Eugénio de Proença Sigaud, que o pintou em 1944. Encontrei-o no blog Segurança no Trabalho. Por isso, disse há uns dias que tinha também uma forma interessante de olhar estes temas.

quarta-feira, maio 30, 2007

Novo Acidente Mortal

Outro acidente mortal, hoje, vi mesmo agora na Sic Notícias. Um empilhador atingiu um trabalhador, numa fábrica em Leiria. Morreu...

E, em relação ao acidente anterior, parece que o trabalhador desmaiou e caiu com a cara numa poça de esgoto. O outro trabalhador entrou, e também desmaiou. Foi uma terceira pessoa que avisou os socorros.
O presidente da Empresa de Águas e Saneamento da Trofa, empresa onde trabalhavam os 3 trabalhadores, disse que era um trabalho que faziam habitualmente. E que estranha muito o gás, que não determinaram ainda qual era. Num esgoto, não será muito difícil prever a existência de ácido sufídrico. É assim que ocorrem os acidentes: tantas vezes vai o cântaro à fonte, que há-de chegar o dia em que se parte. Infelizmente...

Hoje, foi um dia fatídico...

Acidente mortal em espaço confinado

Vi agora mesmo, no Jornal da 2, uma notícia sobre um acidente mortal numa obra. Dois empregados estavam a efectuar uma obra num esgoto, a 8 m de profundidade. Um deles sentiu-se mal, desmaiou e morreu afogado no esgoto!!

Este é claramente um exemplo da necessidade de procedimentos claros e perfeitamente definidos para trabalhos em espaços confinados.

Um espaço confinado é (e cito de memória) um local onde o acesso é difícil e não é apropriado à ocupação humana permanente.

Neste tipo de locais, é necessário a existência de procedimento que defina as normas de segurança:

  • Para executar este tipo de trabalhos, deverá ser necessária uma autorização de trabalho;
  • Antes de se iniciar a entrada no local, deverá ser efectuada monitorização ambiental para verificar se a atmosfera é segura, quer em termos de quantidade de oxigénio, quer em termos de produtos perigosos;
  • Deverá existir um vigilante, que permanecerá fora do espaço confinado, e intervirá em caso de emergência;
  • Deverão ser definidos meios que permitam o resgate da pessoa, em caso de emergência, que entra no espaço confinado;
  • No caso de atmosfera ser perigosa, o local deverá ser ventilado, até a atmosfera se tornar segura;
  • Equipamento de protecção respiratória deverá ser planeado, de acordo com a atmosfera previsível.

Com estas medidas, provavelmente, não teríamos esta morte. E aqueles a quem lhes parece estas medidas exageradas e difíceis de cumprir, pensem que, se não o fizerem, estão a condenar alguém à morte.

São difíceis de implementar estas medidas, dirão alguns! Difíceis, talvez. Impossíveis, não, com toda a certeza. Requerem organização e planeamento, isso sim.

Acidentes mortais e Alberto João

No dia em que surgiu esta notícia, quis colocá-la no Morrer a Trabalhar. Depois, como não encontrei nenhum link, esqueci-me e não fiz o post. Mas a notícia, que ouvi pela manhã na TSF, revoltou-me.

E revoltou-me, principalmente, pela completa ausência de qualquer declaração de pesar por parte de Alberto João Jardim, o inefável presidente do Governo Regional da Madeira.

Qualquer acidente mortal é, por si só, uma situação trágica. Nesta situação, a tragédia torna-se maior pelo completo silêncio de quem tem uma dupla responsabilidade: como governante, e, por isso, com especiais obrigações; e como alguém com responsabilidades na própria construção dos locais onde ocorreram os dois acidentes mortais (seria o governo regional
dono de obra?).

Esta situação da ocorrência de dois acidentes mortais em altura de campanha eleitoral, e por isso, altura de grande pressão para a conclusão das obras, leva-nos a ter que reflectir sobre a influência dos ritmos de trabalho elevados em empresas sem uma gestão e organização de segurança robustas.

quarta-feira, maio 23, 2007

Incêndio em Cascais

Mesmo agora, na Sic Notícias, vi a notícia de um incêndio em Cascais, numa fábrica de brinquedos. A fábrica ficou praticamente destruída. Provavelemnte, a sobrevivência da empresa estará comprometida.

É este tipo de argumento que poderá ser usado para motivar as empresas a implementarem as medidas de Segurança necessárias.

Teria esta fábrica sprinklers? Carretéis? Ao menos extintores? Estariam os colaboradores treinados para agir em caso de emergência? Provavelmente, não. Porquê? Porque os seus donos não tinham consciência do risco.

A prevenção contra incêndios é uma das áreas em que melhor se vê a relação da Segurança com a sobrevivência das empresas. Poderá ser usada para nos aproximarmos de quem tem o poder de decisão. E essa proximidade é necessária para que a acção dos profissionais de segurança seja efectiva.

quinta-feira, maio 17, 2007

Algumas contas interessantes...

No mesmo comentário que referi no post anterior, são apresentadas uns cálculos interessantes, que mostram claramente os custos para a Sociedade que têm os acidentes de trabalho. Publicado pelo Ricardo Barata, inicialmente num blog entretanto extinto, chega à conclusão que quase 1% da população activa não contribuiu para o desenvolvimento do país, porque estava de baixa... Em síntese, chega a esta conclusão:
Em 2001 cerca de 0,7% da população activa nacional não deu o seu contributo para o desenvolvimento económico devido a sinistralidade laboral (se incluirmos o cálculo de dias perdidos por acidentes de trabalho mortal seria próximo de 1%) e diariamente morreu 1 pessoa por estar simplesmente a trabalhar.De referir que nesta publicação verificou-se que em cada 100 trabalhadores expostos ao risco 5,6 sofem acidentes de trabalho.

Como utilizar os índices?

No post anterior, publiquei dois valores interessantes referentes à sinistralida laboral em Portugal. E apontei uma referência para valores da Europa a 15.

O que faria eu com estes valores? Utilizava-os para comparar com os meus índices. Primeiro, saberia como estou em relação a Portugal. Estou melhor que a média nacional? Depois, definia um benchmark, a Dinamarca, por exemplo, e passaria a comparar-me com ela.

Não é perfeito, mas já é alguma coisa. O ideal seria ter valores por indústria e comparar-me com a minha. Mas, em Portugal, até chegarmos aí teremos que percorrer um longo caminho. Parece-me...

Mais tarde, publicarei alguns índices por indústria, para alguns países com estatísticas disponíveis.

Estatísticas de sinistralidade laboral

Provavelmente, sou eu que tenho andado distraído. Mas foi preciso encontrar esta publicação na área da Responsabilidade Social para encontrar índices de sinistralidade em Portugal. Vindas via Eurostat!!! (Podem fazer o download directo da publicação aqui)

E fiquei a saber algumas coisas interessantes:
  • Em termos de índice de incidência de acidentes não mortais (nº de acidentes por 100 000 empregados), tivemos uma tendência francamente positiva. Passamos da liderança em 1994, com cerca de 6000, para um não brilhante, mas pelo menos esperançoso, 4º lugar, com pouco menos de 5000.
  • Já em termos de acidentes mortais, a situação é desastrosa: primeiro lugar destacado, com 8 acidentes mortais por 100 000 empregados!!!!
O que nos leva a uma questão interessante: será que reportamos os acidentes que ocorrem? Será que não existe, no caso dos acidentes não mortais, uma insuficiência no reporte? Parece-me que será esta a questão. Porque, nos acidentes mortais, é mais complicado não reportar...

Algumas reflexões são pertinentes:
  • É incrível que estes índices não sejam disponibilizados pelas instituições portuguesas. O que estão a fazer o ISHST e a IGT?
  • É incrível que, num documento de 2004, os dados apresentados sejam de 2000!!! Será que, nem o Eurostat, publica estes dados atempadamente?
  • Que medidas enérgicas (porque, numa situação calamitosa como esta, as medidas têm que ser enérgicas) estão a ser tomadas para inverter esta situação: primeiro, pelos empresários, pelos profissionais de Segurança, depois pelo ISHST e, por fim, pela IGT. Não tenho a certeza se a ordem será esta, mas que todos terão que estar envolvidos na alteração desta situação, disso tenho a certeza!

domingo, maio 13, 2007

Acidentes na Indústria Química

Nos Estados Unidos, existe uma instituição, o U.S Chemical Safety and Hazard Investigation Board, que investiga os acidentes que ocorrem na indústria química. A descrição de alguns desses acidentes está disponível na sua página.

Os acidentes não escolhem...

Já há algum tempo estava para falar nesta notícia, de Dezembro de 2006 (nos dias que correm, já há uma eternidade...).

Fala sobre um acidente mortal. Infelizmente, não seria nada extraordinário. A cada dois dias, morre alguém em Portugal vítima de acidente de trabalho. O que a distingue é a vítima mortal ter sido o patrão, o dono da empresa... Pois é, os acidentes não escolhem quem atingem...

quarta-feira, maio 09, 2007

Espanha tem 20 % de todos os acidentes na União Europeia!

Ontem e hoje, em algum dos posts, mostrei uma faceta muito típica de nós portugueses: um pessimismo e derrotismo exagerado, em que somos os piores do mundo e em que, sobretudo, a culpa nunca é de cada um, mas de entidades que estão acima de nós e sobre as quais não temos qualquer influência. Fui crítico, sobretudo, em relação ao ISHST e à IGT. Tento evitar, sempre que consigo, esta postura, mostrando, antes, numa atitude optimista e focada na acção.

Enviaram-me esta frase, apesar de não saber a sua origem, nem se a fonte é credível:

España representa el 20% de los accidentes de trabajo de toda la Unión Europea y ocupa el primer puesto en términos de siniestralidad laboral.

Afinal, não somos os piores do mundo!!!

terça-feira, maio 08, 2007

Acidentes de Trabalho: Ausência completa de taxas nacionais

No final de 2006, a IGT publicou uma notícia, que transcrevo parcialmente:


(...) O sector da construção é responsável por uma parte significativa destes valores, com quase 13 trabalhadores mortos por cada cem mil, contra 5 por cada cem mil na média para os restantes sectores de actividade.
Isto é, a probabilidade de morrer a trabalhar na construção (em Portugal e na UE) é cerca de 2,5 vezes maior do que trabalhar num qualquer outro sector de actividade. (...)

Nesta transcrição, surpreendem-me duas coisas: a primeira, é a completa ausência de valores portugueses de quaisquer taxas de frequência ou incidência de acidentes de trabalho. Nunca vi publicados estes valores. E como são importantes! Como podemos saber, nas empresas, como nos comparamos contra a média nacional? E como estamos em relação à média do nosso sector? E como podemos saber, nós portugueses, como nos comparamos em relação a outros países? Sabemos que comparamos mal, mas porque é que nunca são publicados valores?

A segunda surpresa é em relação ao facto de, tanto em Portugal como na Europa, o risco de morrer na construção ser exactamente igual aos restantes sectores. Seria uma coincidência espantosa!

Este post tem um objectivo: agitar consciências, para ver se são publicadas as taxas de sinistralidade laboral.

segunda-feira, maio 07, 2007

Prós e contras: acidentes de trabalho em teatro de guerra

Mesmo agora, Adriano Moreira, no Prós e Contras, programa da RTP, disse algo que nunca tinha pensado: no Iraque, hoje, muitas das vítimas da guerra não são contabilizados como vítimas da guerra, mas sim... como acidentes de trabalho. Porquê? Porque são mercenários, contractados para fazerem a guerra e, por isso, quando morrem, tratam-se de acidentes de trabalho. Será?

quinta-feira, agosto 31, 2006

Músicas... e Segurança

Chico Buarque é um dos mais importantes músicos brasileiros da actualidade. E um dos meus preferidos.

Esta música, já a conhecia. É lindíssima...

Mas nunca tinha estado atento à letra. É uma das mais belas descrições, de um dos mais feios acontecimentos que podem suceder a alguém: um acidente de trabalho mortal! Irónico e contraditório...

Oiçam e vejam. Espero que gostem.
"Subiu a construção como se fosse máquina
Ergueu no patamar quatro paredes sólidas
Tijolo com tijolo num desenho mágico
Seus olhos embotados de cimento e lágrima
Sentou pra descansar como se fosse sábado
Comeu feijão com arroz como se fosse um príncipe
Bebeu e soluçou como se fosse um náufrago
Dançou e gargalhou como se ouvisse música
E tropeçou no céu como se fosse um bêbado
E flutuou no ar como se fosse um pássaro
E se acabou no chão feito um pacote flácido
Agonizou no meio do passeio público
Morreu na contramão atrapalhando o tráfego
"
(Construçao - Chico Buarque de Holanda)